Ex-sócio do Master, Maurício Quadrado, e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, também teriam comprado ações do Banco de Brasília
A descoberta de que alvos do Banco Master também eram acionistas do Banco Regional de Brasília (BRB) motivou abertura da nova investigação que vai se aprofundar na gestão da instituição – que tem como sócio majoritário o governo do Distrito Federal.
A informação consta nos achados de um relatório que o BRB apresentou ao Banco Central, ao Supremo Tribunal Federal e à Polícia Federal.
Uma auditoria externa, realizada a pedido da nova diretoria do banco, aponta que o dono do Master, Daniel Vorcaro; o ex-sócio do Master, Maurício Quadrado; e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, teriam comprado ações do banco.
A PF vai apurar como se deu a compra e venda dessas ações. Até então, mesmo confrontados em depoimento, Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, não haviam falado disso.

Em nota enviada à equipe do SBT News, a defesa de Vorcaro afirmou que o Banco Master detinha participação acionária no BRB por meio de sua holding, devidamente registrada e dentro das regras do mercado. Segundo os advogados, o objetivo era aumentar o capital do Master legalmente.
As defesas de Quadrado e Mansur ainda não se manifestaram.
Depoimento de Daniel Vorcaro deve acontecer após o Carnaval na CPMI do INSS

Inicialmente previsto para quinta-feira (5), o depoimento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, à CPMI do INSS ocorrerá após o Carnaval. Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (3), o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que o depoimento foi reagendado para o dia 26 após pedido dos advogados de Vorcaro.
Mas o senador avisou que, se o banqueiro não comparecer, poderá ser conduzido coercitivamente. Vorcaro é investigado pela Polícia Federal devido às fraudes no Banco Master.
Viana destacou que o convocado terá de “explicar os 250 mil contratos de empréstimos consignados que o Banco Master tinha em carteira, que foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação de documentação que garantisse de fato a efetividade e a anuência dos aposentados”.
Por estar em prisão domiciliar, Vorcaro terá de ser transportado até Brasília sob custódia da Polícia Federal. O senador ressaltou que serão garantidos todos os direitos constitucionais de não autoincriminação, acompanhamento por advogado e tratamento digno ao depoente.
Depoimento mantido
Está mantido para esta quinta-feira o depoimento do presidente do INSS Gilberto Waller Júnior, em reunião que começa às 9h.
Viana disse que Gilberto deverá explicar as medidas adotadas pelo órgão durante a sua gestão, avaliar a efetividade dos controles internos implementados e identificar responsabilidades administrativas no âmbito da gestão atual.
Habeas corpus
O senador lamentou a manutenção do habeas corpus, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), que impede o depoimento do empresário Maurício Camisotti à comissão.
Empresário do grupo Total Health, Camisotti foi convocado depois que oito requerimentos com esse objetivo foram apresentados, entre eles um do próprio presidente da CPMI. Segundo Viana, o empresário deve ser ouvido “em razão de seu envolvimento em graves esquemas de fraude e lavagem de dinheiro”.
Camisotti é apontado como sócio oculto da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que arrecadou R$ 178 milhões entre 2019 e 2024 por meio de descontos indevidos na folha de aposentados e pensionistas. A Controladoria-Geral da União verificou que muitos dos prejudicados nem sabiam que estavam filiados a essa associação.
Toffoli e prorrogação
Viana também informou que o ministro do STF Dias Toffoli concordou com a devolução do material que já havia sido apurado pela comissão, mas só após as investigações da Polícia Federal.
Além disso, o presidente da CPMI anunciou que vai se reunir na semana que vem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tratar da prorrogação dos trabalhos da comissão por mais 60 dias.
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