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Servidora há 40 anos no IBGE, Ana Raquel Gomes da Silva, é exonerada após denunciar a gestão de escolhido de Lula

Por Redação
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A presidência do instituto rebateu as críticas declarando que “o IBGE é alvo de mentiras por parte de servidores, ex-funcionários e sindicatos”.

Mais uma servidora do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é exonerada após fazer uma denúncia à direção do órgão, presidido por Marcio Pochmann, economista do PT escolhido por Lula em agosto de 2023.

Com mais de 40 anos na instituição, a gerente Ana Raquel Gomes da Silva acusou Pochmann de aprovar a publicação de um texto interno do instituto com a assinatura da governadora Raquel Lyra, do PSDB, o que se configuraria como propaganda política.

O presidente do instituto tem recebido críticas por fazer “uma caça às bruxas contra servidores” que não concordam com algumas medidas de sua gestão, segundo o sindicato dos servidores.

FOLHAPRESS/Sergio Lima – 16.set.2009 / Folha imagem

Como o IBGE pode ter sido usado para campanha eleitoral?

O texto interno da acusação é o prefácio periódico “Brasil em Números 2024”, lançado na última terça pelo instituto. Com a assinatura da governadora, a peça conecta estatísticas do IBGE com iniciativas do estado:

“O Brasil em Números do ano passado revelou que o Nordeste é a segunda região com o maior déficit habitacional do País e lidera o número de casas sem abastecimento de água.”

“O Governo do Estado de Pernambuco tem resolvido esse déficit com as ações do Programa Morar Bem, a maior política habitacional da história do estado.”, afirma um trecho do prefácio.

Assim que a acusação veio a público, Pochmann afirmou que o IBGE recorreu a parcerias para viabilizar a publicação por falta de recursos. O presidente disse que não havia “nenhum ferimento à forma” de lidar com as informações.

“A condução do IBGE está sob viés autoritário, político e midiático”

Os técnicos do instituto, Ana Raquel Gomes da Silva, da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais, e Leonardo Ferreira Martins, da Gerência de Editoração, assinaram uma carta representando sua opinião e de outros servidores.

A carta afirma que a inclusão do prefácio está “em frontal desacordo com as boas práticas institucionais”:

“Conteúdos de tal natureza, característicos de campanhas eleitorais, não se coadunam com a neutralidade técnica que deve nortear a produção editorial do IBGE”, diz a manifestação dos servidores.

O governo de Pernambuco não respondeu aos questionamentos da imprensa. A carta diz que as gerências de Editoração e de Sistematização de Conteúdos Informacionais do IBGE alertaram sem sucesso sobre a suposta inadequação em novembro do ano passado.

“Em face da solene indiferença às argumentações técnicas de ambas as áreas quanto à conotação política do prefácio, restou-nos apenas este espaço [carta] em que nos manifestamos para alertar sobre os riscos decorrentes…”, diz o manifesto.

Em outro manifesto divulgado em janeiro do ano passado, pesquisadores disseram que a condução do IBGE ocorria sob “viés autoritário, político e midiático”.

Quantas pessoas já saíram do IBGE pelo mesmo motivo?

Diversos cargos foram deixados e exonerados do IBGE motivados por divergências com a gestão de Pochmann:

09/01:

  • Cimar Azeredo, Diretoria de Pesquisas
  • Maria Lucia Pontes Vieira, Diretoria de Geociências;

19/01:

  • Rebeca Palis, Pesquisadora e Coordenadora de Contas Nacionais;

23/01:

  • Ivone Lopes Batista, Diretora de Geociências;
  • Patricia do Amorim Vida Costa, Diretora-adjunta de Geociências;

26/01:

  • Cristiano Martins, Gerente de Bens e Serviços;
  • Claudia Dionísio, Gerente de Contas Nacionais Trimestrais;
  • Amanda Tavares, Gerente Substituta de Contas Nacionais Trimestrais

28/01:

  • Ana Raquel Gomes da Silva, Gerente de Sistematização de Conteúdos Informacionais.

A defesa de Pochmann

A presidência do IBGE tem rebatido as críticas declarando que o órgão é alvo de mentiras por parte de servidores, ex-funcionários e sindicatos”:

“Sou visto como o cara polêmico, mas, na verdade, estamos repensando a casa”, declarou Pochmann em uma entrevista à Folha.

A crise no instituto começou em 2024 com a ideia de criar uma fundação chamada IBGE+, que tinha margem para a produção de trabalhos para organizações privadas.

Após críticos questionarem e apelidarem a proposta de IBGE paralelo, o projeto foi suspenso em janeiro de 2025.

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